HISTÓRIA

 

O distrito de Lavras Novas situa-se a cerca de 120 km de Belo Horizonte e 17 km de Ouro Preto.  Sua população gira em torno de pouco mais de 1.500 habitantes e sua cultura é rica em história, folclores e lendas de domínio popular, baseados em acontecimentos ocorridos na época do suposto quilombo.
 
É muito comum ouvir falar que o local tenha sua origem a partir de um quilombo. Entretanto não é possível encontrar documentação que comprove. O fato da população negra ser majoritária no distrito, pode ser explicado através do esgotamento das lavras de ouro já no século XIX, o que pode ter alavancado o abandono da população branca que inclusive na época já poderia estar em processo de miscigenação. 
 
Esse pequeno conjunto de pessoas que decidiu continuar no local, se eram negros ou mulatos, provavelmente eram livres ou libertos. A idéia de que Lavras Novas seria remanescente de quilombo parece não fazer muito sentido sendo que a região de mineração era muito vigiada. A idéia de quilombo vem da forma de organização social em que se encontrava a comunidade local no início do século XX.
 
Vivendo praticamente sozinha e isolada em meados do século XIX, a comunidade de Lavras Novas adquiriu um jeito bem particular de se organizar. Seus poucos habitantes na época, eram na sua maioria parentes de consangüinidade. Os casamentos aconteciam entre as famílias locais. A preocupação com a propriedade da terra praticamente não existia, era de consenso que ela pertencia a santa. As doenças eram curadas com as ervas locais.
 
A forma para conseguir o dinheiro para sustento vinha da produção de cestas, balaios e enfeites trabalhados em taquara. Serviço que até hoje pode ser encontrado na localidade. Normalmente, era serviço das mulheres recolherem as taquaras e a lenha nas matas da região. Até hoje podemos ver as senhoras carregando feixes de lenha na cabeça. Os homens ficavam incumbidos de levar os produtos para serem vendidos em Ouro Preto e, com o lucro comprovam as mercadorias que não eram produzidas na região.
 
Dotados de grande religiosidade, os acontecimentos mais importantes da região eram as festas dos santos, especialmente a de Nossa Senhora dos Prazeres. Eram realizadas também a folia de reis e a marujada. Na Semana Santa eram praticados cultos da quinta e sexta-feira da paixão. Atualmente se realizam todos os atos da Semana Santa, sendo os cultos realizados preferencialmente em latim.
 
Entretanto a idéia mais aceita do surgimento de Lavras Novas vem do fato que após os primeiros anos da exploração intensa do ouro e consequetemente esgotamento de muitas minas, novas expedições partiram em busca de novos territórios com potencial minerador. Neste contexto se insere a origem de Lavras Novas que, como o próprio nome indica, seria local de exploração do ouro mais recente, se comparada com outros lugarejos mais antigos (como São Bartolomeu e Antônio Pereira).
 
Pesquisas recentes apontam que Lavras Novas teria sido descoberta por Antônio e Feliciano, filhos de Salvador Fernandes Furtado de Mendonça, descobridor do Ribeirão do Carmo, e seria considerada em princípio somente uma mineração de ouro, tendo direito a capela e cultos ecumênicos. A igreja certamente foi construída pelos mineradores, e cabia aos escravos extrair e carregar pedras na entrada do distrito para a obra. O documento mais antigo encontrado seria de 1717.
 
Entretanto, os moradores de Lavras Novas afirmam que a localidade teria sua origem na mineração de ouro de propriedade do filho do guarda-mor que residia na região e extraía ouro em Lavras Novas, no Salto e na Itatiaia. O número de escravos trabalhando na região era grande, porém eles não ficavam no local, dormiam na Fazenda do Manso. Lavras Novas foi elevada à categoria de distrito no ano de 2005.
 
O povoado ainda preserva características dos primeiros caminhos abertos pelos mineradores, sem grandes intervenções posteriores. Evidentemente o casario não é o original, mas o formato geral foi mantido. A atual igreja foi reerguida, ao que consta, na segunda metade do século XVIII. O cruzeiro de pedra permanece sendo símbolo da fé dos primeiros povoadores.
 
A maioria das pessoas que vão pela primeira vez a Lavras Novas ficam admiradas com a topografia local. É possível observar enormes blocos de pedra dispostos ao longo da estrada, como se tivessem sido jogados do alto das montanhas e se equilibrassem ali. Entretanto parece que a qualquer momento podem rolar montanha abaixo. Esses grandes blocos de pedra solta teriam sido colocados por escravos e não por eventos naturais.
 
Atualmente Lavras Novas vem apresentando, cada vez mais, condições favoráveis para seu desenvolvimento turístico e econômico. Vem aprimorando sua infra-estrutura para melhor atender seus visitantes. Investindo e crescendo nas áreas de hospedagem, casas noturnas, bares e restaurantes. Além disso, está situada em pleno Parque Estadual do Itacolomi com suas belezas naturais preservadas. Sua população mostra-se cada vez mais consciente das riquezas existentes em sua fauna e flora. Tudo isto vem atraindo praticantes de esportes radicais e os que apreciam a calma e a simplicidade do interior.